CRIANÇAS: acidentes domésticos que podem ser evitados

Neste mês todo dedicado às crianças consideramos importante lembrar os pais de como as crianças podem sofrer acidentes dentro da própria casa. A maioria dos episódios com crianças acontece dentro de casa e na presença dos responsáveis por elas. Dentre as situações conhecidas como acidentes domésticos, os mais comuns são as queimaduras, quedas, afogamentos e intoxicações.

Quedas:Crianças se machucam o tempo todo, tropeçam, correm, caem, batem a cabeça, mas se machucam mais quando começam a se movimentar sozinhas, ou seja, no período que aprendem a engatinhar e caminhar. Por isso muitas vezes, por achar que os bebês são pequenos demais para se mexerem, eles acabam sofrendo acidentes graves provocados a partir de quedas da cama, berço ou trocador sem uma barreira de proteção.

As crianças batem muito a cabeça, e com a queda ou batida os pais precisam  observar alguns aspectos e tomar alguns cuidados. Se aparecer um galo, é importante colocar uma compressa fria ou gelo enrolado em uma toalha sobre o local e observar a criança nas primeiras 24 horas. Se ocorrer vômito ou ficar sonolenta além do normal, é necessário procurar atendimento médico. É necessário conhecer a criança e saber distinguir o sono normal de um comportamento diferente, onde a criança é chamada e ela não responde, ou abre os olhinhos e logo fecha novamente, podendo significar uma lesão. Caso a criança perca a consciência, deve ser levada imediatamente ao pronto-socorro.

No período de fantasias, as crianças de até 8 anos costumam imaginar situações e criar um mundo de faz de conta em suas brincadeiras. Com isso, esse período  torna-se perigoso, pois o real e o imaginário  confundem-se e não conseguem perceber que estão em perigo. Sendo assim, é necessário conversar e explicar que o super-homem não voa de verdade e que se fizer isso poderá se machucar.

Além de fornecer as orientações de comportamento e segurança para as crianças, os pais devem tomar providências como usar protetores nas quinas dos móveis, não deixar cadeiras, camas e bancos próximos de janelas; providenciar antiderrapantes nos tapetes para evitar escorregões, e usar telas de proteção em sacadas e janelas.

Afogamentos: Para crianças pequenas, baldes, banheiras e vasos sanitários podem oferecer riscos para afogamento, pois onde houver água, um adulto deve sempre supervisionar as crianças e adolescentes, mesmo que saibam nadar. É importante cercar piscinas em casas onde há crianças.

Em situações de afogamento, o rápido socorro é fundamental para o salvamento da criança, pois a morte por asfixia pode ocorrer em apenas 5 minutos. Por isso é tão importante que pais, responsáveis, educadores e outras pessoas que cuidam de crianças aprendam técnicas de primeiros socorros e que tenha um telefone próximo à área de lazer, com o número do atendimento de emergência.

Queimaduras:  Queimaduras sempre necessitam de atenção especial, pois normalmente ocorrem ao lado do fogão, quando crianças derrubam panelas e seu conteúdo sobre o corpo.

O tipo de queimadura mais leve é o de primeiro grau, que danifica somente a camada mais externa da pele, deixando a pele vermelha e podendo causar um pouquinho de inchaço.

As queimaduras de segundo grau provocam bolhas e um inchaço maior, e é bastante dolorida.

A queimadura de terceiro grau é a mais grave, afeta a terceira camada mais profunda da pele. A pele pode parecer branca ou cinzenta, ficando muito danificada. Esse tipo de queimadura pode não doer tanto quanto a de segundo grau, porque os nervos que transmitem a sensação de dor são atingidos.

A criança queimada deve ser levada ao hospital para receber atendimento médico sempre que a queimadura for no rosto, nas mãos ou nos órgãos genitais; se a queimadura for em uma área maior que o diâmetro de uma bolinha de pingue-pongue; e se a queimadura for resultado de um choque elétrico.

O tratamento de queimaduras leves devem proceder com o resfriamento da área queimada o mais rápido possível, aplicando compressas frias ou colocando o local na água fria por 10 a 15 minutos. Não necessitando a aplicação de nenhum tipo de pomada. Se surgir uma bolha na região queimada. não a fure, pois ela serve de proteção contra entrada de bactérias na pele agredida.

Cuidados a seguir:
• Deixe os cabos das panelas no fogão sempre virados para dentro.
• Não segure nem tome bebidas quentes com uma criança no colo.

• Deixe bebidas e comidas quentes longe das bordas da mesa, da pia ou do balcão da cozinha. Cuidado com toalhas de mesa.
• Sempre misture bem a água da banheira com sua mão antes de colocar o bebê. Evite dar banho com o chuveirinho direto na criança, pois a temperatura da água pode oscilar de repente.
• Mantenha o ferro de passar roupa, aparelhos eletrônicos que aquecem, velas, fora do alcance da criança.
• Cuidado com a porta do forno, as crianças podem apoiar as mãozinhas na parte de fora quando o forno está ligado.
• Use uma tela de proteção na lareira.

• Cubra as tomadas com protetores e tire fios elétricos do alcance da criança.
• Antes de colocar seu filho na cadeirinha do carro, veja se não há partes quentes. As partes plásticas ou metálicas podem causar queimaduras.
• Não brinque com fogos de artifício perto da criança.
• Muito cuidado com garrafas de álcool, prefira a versão em gel, que é menos perigosa, pois não explode em contato com o fogo.

Intoxicação:A curiosidade das crianças faz com que se exponham mais a este tipo de acidente, porque ingerem produtos de limpeza e medicamentos por confundirem com refrigerantes, sucos e guloseimas. Por isso, é tão importante manter esses produtos em armários fechados à chave, impedindo o acesso das crianças, manter os produtos de limpeza em sua embalagem original, não colocando em garrafas de refrigerante, por exemplo. Caso, mesmo com as precauções, a criança ingerir produtos perigosos, pegue a embalagem e imediatamente leve a criança para o pronto-socorro. Não forçar o vômito porque a substância causará danos ao descer e ao voltar, não oferecer leite nem água.

Com todas essas dicas, podemos afirmar que 90% dos acidentes podem ser evitados a partir de mudanças simples dentro e fora de casa. O mais importante é a prevenção através de alternativas que deixem o ambiente doméstico seguro, sem negar à criança o direito de brincar, desde que a atividade seja supervisionada.

FELIZ MÊS DAS CRIANÇAS!

Graciela Elis Hauschild Scherer

Enfermeira do Hospital Estrela

COREN 1649296

 

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